quinta-feira, 28 de abril de 2011

De ballet... Só a sapatilha!



Assistir uma coreografia e simplesmente dizer que não gostou, não é crítica! Pois crítica está longe de ser gosto! Então para que serve a crítica? Criticar significa quebrar uma obra em pedaços e colocá-los em análise.
O título desta crítica, que se originou de um infeliz comentário. Fez-me ver que, são poucas as pessoas que estão aptas para abrir a boca e falar algo. O comentário é imediato e ineficaz, já a crítica é construtiva. Alguns artistas censuram a crítica por considerá-la incapaz de ensinar qualquer coisa. E, no entanto, quantos artistas não devem tão-somente á crítica a sua mísera reputação!
Já com as palavras certas, e um pouco afiadas, dou início ao meu terceiro parágrafo, no qual eu retrucarei com a mesma moeda, e alguns trocados á mais. Não me basearei no título para criticar o alvo específico, porque dele (o alvo), não consigo entender a relação de alguns acessórios com certas modalidades, ou a coerência da coreografia com o tema proposto. A limpeza técnica e coreográfica se faz ausente nos momentos precisos (todos). Mas para que técnica? Se o que importa é o amor! Ah! Seria ótimo, se dançar se resumisse em movimentos que surgem do nada, mas sabemos que não é bem assim. Tanta produção, que desperta a curiosidade, as lindas cores de sombras e batons se tornam opcional, já que, esteticamente e cenicamente o que fica visível são as narinas se contraindo e dilatando de acordo com a respiração, que cada um faz da forma que o convém, as costelas não fechadas fazem movimentos como de asas, de quem vai voar como os cisnes, ou tentar como os marrecos. As coreografias são tão diversificadas e inovadoras, que basta um tandü avant como preparação para o público adivinhar qual será o passo á ser executado. E no decorrer de dezenas de apresentações feitas ao longo do ano, o que se vê na tão cobiçada evolução? [...]
Quanto ao comentário á nós feito, vamos aceitá-lo. E, em cima dele projetar novos planos, novos métodos para melhorar cada vez mais. Como de costume nesses treze anos.
E para esclarecer aos nossos tão talentosos comentaristas, eu os corrijo dizendo detalhadamente que as coreografias criadas com base nas técnicas clássicas, têm além das sapatilhas, vários pettinés, deboileés, Piquet an tournée, sissones, arabesques, port Du bras, glissades, atittüdes, tombés, e jetés, há também, os detestavéis echappeés e entrechats, e mais um alfabeto inteiro de passos clássicos, os quais se vocês dominam ou compreendem, já não posso responder!
Criticar é abrir os olhos e ouvidos, para quem é criticado melhorar, construir. Logo, criticar é abrir os olhos e ouvidos e fechar a boca.

João Rodrigues

domingo, 10 de abril de 2011

Depoimento Do Artista

Que questões inspiraram o seu trabalho artístico?
Cada trabalho é único e cada obra tem uma proposta específica. Minha grande questão é: será que é esse trabalho, e até que ponto isso vai funcionar? E eu, naturalmente, para definir o que o "trabalho" designa - como funciona, em que sentido, o que é tentando realizar - poderia ser qualquer número de coisas. Mas cada um é hipotético, de alguma forma. Não há nenhuma prova empírica de que ele está funcionando. Eu acho que a indeterminação é importante. Então a grande pergunta é: qual é a natureza da indeterminação e da indeterminação em cada produção?

Como você descreveria a linguagem artística em que suas produções são criadas?
Estou interessado na política de responsabilidade.

 Em que condições e com que formas de colaboração as suas produções são criadas?
Eu olho para situações que permitem aos dançarinos assumir a responsabilidade - eles são responsáveis por aspectos da coreografia como eu sou responsável pelo modo de obter isso. Faço uma proposta e eu entendo que esta proposta pode gerar certo tipo de informação apenas, dependendo do que suas referências são.
William Forsythe


Vídeos de suas metodologias







domingo, 3 de abril de 2011

A Forsythe Company


Criada em Nova York e, principalmente, treinados na Flórida com Nolan Dingman e Long Christa, Forsythe dançou com o Joffrey Ballet e, posteriormente, o Ballet de Stuttgart, onde foi nomeado Coreógrafo Residente em 1976. Durante os próximos sete anos, ele criou novas obras para o conjunto de Estugarda e companhias de ballet, em Munique, Haia, Londres, Berlim, Frankfurt am Main, Paris, Nova York e San Francisco. Em 1984, iniciou um mandato de 20 anos como diretor do ballet de Frankfurt, onde criou obras como Artifact (1984), Impressing the Czar (1988), Limb's Theorem (1990), The Loss of Small Detail (1991, em colaboração com o compositor Thom Willems e o designer Issey Miyake), Eidos:Telos (1995), Endless House (1999), Kammer/Kammer (2000), and Decreation (2003).
            Após o encerramento do Ballet de Frankfurt em 2004, Forsythe estabeleceu um conjunto novo e mais independente. A Companhia Forsythe, fundada com o apoio dos Estados da Saxônia e de Hesse, as cidades de Dresden e Frankfurt e Main, e os patrocinadores privados, baseia-se em Dresden e Frankfurt e Main e mantém uma programação extensa em turnê internacional.
Inclui as obras produzidas pelo novo conjunto Three Atmospheric Studies (2005), You made me a monster (2005), Human Writes (2005), Heterotopia (2006), The Defenders (2007), Yes we can't (2008), and I Don't Believe in Outer Space (2008).                                                                          Mais recentes trabalhos de Forsythe são desenvolvidos e executados exclusivamente pela empresa Forsythe, enquanto suas peças anteriores são destaque no repertório de grandes companhias de ballet do mundo, incluindo o Ballet Kirov, o New York City Ballet, San Francisco Ballet, O Ballet Nacional do Canadá, Royal Ballet de Inglaterra, eo Ballet Ópera de Paris.
            Prêmios recebidos pela Forsythe e seus conjuntos incluem o New York Dança e Desempenho "Bessie Award (1988, 1998, 2004, 2007) e Laurence Olivier Award de Londres (1992, 1999, 2009). Forsythe tem sido veiculada a título de Commandeur des Arts et Lettres (1999) pelo governo da França e recebeu o prêmio alemão Distinguished Service Cross (1997), o Prêmio Wexner (2002) e Leão de Ouro de LiveTime Achievement em Veneza (2010) .
            Em colaboração com os meios técnicos e educadores, Forsythe desenvolveu novas abordagens para a dança, documentação, pesquisa e educação. Cria sua aplicação informática 1994 Improvisation Technologies: Uma Ferramenta para a Dança Analítica, desenvolvido com o Zentrum für Kunst und Medientechnologie, é utilizado como uma ferramenta de ensino por empresas profissionais, os conservatórios de dança, universidades, programas de arquitetura pós-graduação e escolas secundárias em todo o mundo, 2009 marca o lançamento do Synchronous Objects for One Flat Thing, reproduzida uma pontuação digital on-line desenvolvido com a Universidade Estadual de Ohio, que revela os princípios de organização da coreografia e demonstra a sua eventual aplicação no âmbito de outras disciplinas.
            Como educador, Forsythe é regularmente convidado para dar palestras e workshops em universidades e instituições culturais. Em 2002, Forsythe foi escolhida como a fundação de Dança tutor para o Rolex Mentor e Artes Protégé Initiative. Atualmente, ele co-dirige e leciona no Aprendiz Dance rede européia do programa (dança), um programa de inserção profissional interdisciplinar com base na Palucca Schule Dresden. Forsythe é um membro honorário do Centro Laban de Movimento e Dança, em Londres e possui um doutorado honoris causa da Juilliard School de Nova York.

Vanessa Voss

domingo, 27 de março de 2011

O Dia do Circo - 27 de Março


O dia do circo foi criado em homenagem ao palhaço Piolim, Abelardo Pinto, que comandou o circo Piolim por mais de trinta anos.
Seu pai havia sido dono de circo quando esse era pequeno, local onde aprendeu a tocar violino, a fazer contorcionismos e acrobacias.
A data foi instituída em razão de seu nascimento, no ano de 1897, em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo.
Abelardo chegou a fazer espetáculos beneficentes, junto com um grupo de artistas espanhóis, que lhe deram o apelido de Piolim, que significa barbante, devido às pernas compridas e também por sua magreza.
Piolim era engajado com os movimentos artísticos e culturais, sempre preocupado em divulgar a arte como forma de expressão cultural.
Foi homenageado pelos intelectuais da semana de arte moderna (Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati, e outros) em 1922, como o maior artista popular brasileiro.
Em dois de agosto de 1931 recebeu uma homenagem de Mário de Andrade, através de uma crônica que demonstrava seu encantamento com a arte do circo de Piolim.
Um dos maiores sonhos desse palhaço era montar uma escola circense, para manter as tradições artísticas e culturais do circo, mas morreu antes de concretizá-lo, aos 76 anos de idade, em  1973.

Viva o dia do Circo!

terça-feira, 22 de março de 2011

Willian Forsythe

Willian Forsythe, talvez o mais brilhante dos coreógrafos que continuam a trabalhar e reinventar o vocabulário clássico, ele nasceu em Nova Iorque em 1949. Depois de estudar dança na Jacksonville University e do Joffrey Ballet School, ele veio para o Ballett Stuttgarter como bailarino em 1973. Aí foi onde ele desenvolveu sua primeira coreografia "Urlicht", um dueto com a música de Gustav Mahler. Outras obras para o Ballett Stuttgarter foram "Flore subsimplici" em 1978 e "Love Songs", em 1979. Em 1983, Forsythe coreografou a peça "Gange" com a companhia do Ballett Frankfurt, ele foi nomeado diretor do Ballet em 1984 e ele continua a dirigi-lo hoje. Desde outubro de 1999 Forsythe também foi diretor do TAT no Bockenheimer Depot, a segunda sede do Ballett Frankfurt.
            Depois de 20 anos à frente do Frankfurt Ballet, em 2004, Forsythe entendeu que os cortes de financiamentos estatais com que se confrontava comprometiam irremediavelmente a qualidade do seu projeto artístico. Optou por abandonar a companhia, criando outra, a Forsythe Company entre as cidades de Bresden e Frankfurt, com apenas 18 bailarinos, contra os 42 com que o Ballet de Frankfurt começou e os 34 a que estava reduzido na altura da dissolução.                                                                       

 "O que lamento é a falta de continuidade numa estrutura que estava tão bem organizada", disse à época o coreógrafo. Explicando: "Ao longo dos últimos 20 anos, passaram pela companhia 130 bailarinos. O conhecimento foi passado. A quebra disso é devastadora.”                                                                                                                
Também em 2004 o projeto BrainDance e o Choreography and Cognition com o apoio do departamento de Neurociência de Cambridge, dirigido por Wayne Mcgregor, assim como o evento Dance and the Brain, realizado em Frankfurt por William Forsythe e Ivar Hagendoorn, têm relacionado dança e ciência para descobrir novos acionamentos corporais. E para uma espécie de mediação sensória da ação e qualidade do gesto, Armando Menicacci do Mediadanse Lab em Paris, tem testado pré-movimentos na musculatura abdominal, quase imperceptíveis a olho nu, discutindo como o pré-movimento é fundamental para a formação de criadores contemporâneos e em que medida a tecnologia pode interferir no processo de criação. Enquanto isso, em Grenoble, o Festival dos Imaginários aborda inúmeros trabalhos que discutem a relação entre o movimento imaginado e a experiência motora.                                               
Em 1994, Forsythe praticamente reinventou o ensino da dança com a sua aplicação informática "Improvisation Technologies: Uma Ferramenta para a Dança Analítica Eye" (Hatje Cantz Editora), que é usada mundialmente por empresas e profissionais, os conservatórios de dança, universidades, programas de arquitetura pós-graduação e escolas secundárias. Atualmente, a Forsythe está desenvolvendo um projeto interativo online ampliando a iniciativa começou com "Improvisation Technologies", oferecendo uma plataforma interdisciplinar de ensino centrou-se no conhecimento das técnicas inerentes coreografia gráfica e estrutura.
            Depois de ter trabalhado com o Joffrey Ballett e o Nederlands Dans Theater, William Forsythe foi diretor do Ballett Frankfurt entre os anos de 1994 a 2004, período em que coreografou peças como Limb’s Theorem (1991), The loss of small Detail (1991), Alie/naction (1992), Eidos:Telos (1995), Endless House (1999) e Kammer/Kammer (2000). Como disse a crítica de dança do The Guardian Judith Mackrell, foi lá que ele aperfeiçoou o estilo que define como “uma estética de perfeita desordem, que rompe radicalmente com as normas do balé, desorganiza os eixos de equilíbrio e estraçalha o espaço, encorajando os bailarinos a violar todos os códigos do gênero, cortesia e romance“.                                                                                             
O CD-ROM Improvisation Technologies – A Tool for the Analytical Dance Eye, produzido pelo ZKM (Center for Art and Media Karlsruhe) e lançado em 1999 é uma importante ferramenta, como o próprio nome diz, para sensibilizar o olhar e a cognição para a lógica de organização de movimentos deste pensador da dança. Eis aqui um exemplo onde memória e criação se confundem, na medida em que o CD registra facetas deste pensamento de dança e favorece o aprendizado do repertório e, para além disso, colabora com o entendimento de um modo operacional que pode ser utilizado em futuras improvisações que geram novos trabalhos. O CD contém explicações e demonstrações em vídeo sobre alguns métodos de improvisação que Forsythe utiliza para compor, descrito por ele com suportes gráficos e animações, entre outros modos de visualização.                                                                                                                         
Sobre a excelente obra Eidos: Telos, a crítica de dança d’O Estado de São Paulo Helena Katz escreveu no artigo Dança usa a matemática para estrangular corações, publicado em 1996, “Forsythe pensa a dança por algoritmo (tradução matemática da informação) – por isso, ele é único. Não organiza movimentos em espaços, constroi o espaço com ou sem movimentos. Uma empreitada dura. Para ele, seus bailarinos e seu público. Todos precisaram aprender que Forsythe coreografa como quem programa bits e não como quem toma como modelo esses nossos corpos à base de carbono. [...] A cabeça de Forsythe lê o mundo por algoritmos. Ele pára, aponta uma árvore que o outono começa a desfolhar e comenta: ‘veja como é claro, isso é puro algoritmo’. Para ele, o mundo que se mexe evolui porque são essas estruturas algorítmicas que se reproduzem evolutivamente. E, como quase tudo que tem mobilidade pode ser ‘algo ritmável’, isto é, pode ser traduzido matematicamente, o mistério, para ele, está em desvendar esse modo de agir da matemática“.                                                                           
A presença dos conceitos de algoritmo e da razão áurea na dança de Forsythe produzem estéticas diferenciadas. A aplicação de conceitos matemáticos em outro domínio tem consequências estético-espaciais, o que por sua vez, exige a construção de outro corpo. É a presença dos conceitos matemáticos que produz as estéticas desse coreógrafo.                                                                                                                                
A revolução estética idealizada tanto no Ballets Russes como nos Les Ballets Séidois, abrem caminho para novas possibilidades de se pensar o balé do início do século XX ao tempo recente. Vários coreógrafos lançaram novas discussões estéticas para o balé como o mais recente, e ainda em atividade, William Forsythe (Alemanha) que embaralha a técnica do balé acadêmico, partindo da desconstrução, colocando o bailarino sempre em estado de alerta.                                                                                 
Ana Francisca Ponzio em seu artigo: O Classicismo do Contemporâneo publicado na revista Gesto - Revista Centro Coreográfico em 2003, afirma que “segundo Forsythe, o vocabulário clássico jamais será velho. É a sua escritura que pode ficar datada. [...] a desestruturação da linguagem clássica permite obter possibilidades inauditas ocultadas pela abordagem tradicional do balé”. Essas estruturas desenvolvidas por William Forsythe e pelos coreógrafos anteriores facilitaram os cruzamentos do balé acadêmico no cenário da dança contemporânea, trazendo novos significados para o balé, a possibilidade de flexibilizar a tradição e incorporar as inovações do pensamento da dança do tempo recente. Por Exemplo, a De Anima Ballet Contemporâneo no Rio de Janeiro, que tem como referência principal a pesquisa de William Forsythe.


Este artigo foi retirado do TCC de Vanessa Voss.