terça-feira, 22 de março de 2011

Willian Forsythe

Willian Forsythe, talvez o mais brilhante dos coreógrafos que continuam a trabalhar e reinventar o vocabulário clássico, ele nasceu em Nova Iorque em 1949. Depois de estudar dança na Jacksonville University e do Joffrey Ballet School, ele veio para o Ballett Stuttgarter como bailarino em 1973. Aí foi onde ele desenvolveu sua primeira coreografia "Urlicht", um dueto com a música de Gustav Mahler. Outras obras para o Ballett Stuttgarter foram "Flore subsimplici" em 1978 e "Love Songs", em 1979. Em 1983, Forsythe coreografou a peça "Gange" com a companhia do Ballett Frankfurt, ele foi nomeado diretor do Ballet em 1984 e ele continua a dirigi-lo hoje. Desde outubro de 1999 Forsythe também foi diretor do TAT no Bockenheimer Depot, a segunda sede do Ballett Frankfurt.
            Depois de 20 anos à frente do Frankfurt Ballet, em 2004, Forsythe entendeu que os cortes de financiamentos estatais com que se confrontava comprometiam irremediavelmente a qualidade do seu projeto artístico. Optou por abandonar a companhia, criando outra, a Forsythe Company entre as cidades de Bresden e Frankfurt, com apenas 18 bailarinos, contra os 42 com que o Ballet de Frankfurt começou e os 34 a que estava reduzido na altura da dissolução.                                                                       

 "O que lamento é a falta de continuidade numa estrutura que estava tão bem organizada", disse à época o coreógrafo. Explicando: "Ao longo dos últimos 20 anos, passaram pela companhia 130 bailarinos. O conhecimento foi passado. A quebra disso é devastadora.”                                                                                                                
Também em 2004 o projeto BrainDance e o Choreography and Cognition com o apoio do departamento de Neurociência de Cambridge, dirigido por Wayne Mcgregor, assim como o evento Dance and the Brain, realizado em Frankfurt por William Forsythe e Ivar Hagendoorn, têm relacionado dança e ciência para descobrir novos acionamentos corporais. E para uma espécie de mediação sensória da ação e qualidade do gesto, Armando Menicacci do Mediadanse Lab em Paris, tem testado pré-movimentos na musculatura abdominal, quase imperceptíveis a olho nu, discutindo como o pré-movimento é fundamental para a formação de criadores contemporâneos e em que medida a tecnologia pode interferir no processo de criação. Enquanto isso, em Grenoble, o Festival dos Imaginários aborda inúmeros trabalhos que discutem a relação entre o movimento imaginado e a experiência motora.                                               
Em 1994, Forsythe praticamente reinventou o ensino da dança com a sua aplicação informática "Improvisation Technologies: Uma Ferramenta para a Dança Analítica Eye" (Hatje Cantz Editora), que é usada mundialmente por empresas e profissionais, os conservatórios de dança, universidades, programas de arquitetura pós-graduação e escolas secundárias. Atualmente, a Forsythe está desenvolvendo um projeto interativo online ampliando a iniciativa começou com "Improvisation Technologies", oferecendo uma plataforma interdisciplinar de ensino centrou-se no conhecimento das técnicas inerentes coreografia gráfica e estrutura.
            Depois de ter trabalhado com o Joffrey Ballett e o Nederlands Dans Theater, William Forsythe foi diretor do Ballett Frankfurt entre os anos de 1994 a 2004, período em que coreografou peças como Limb’s Theorem (1991), The loss of small Detail (1991), Alie/naction (1992), Eidos:Telos (1995), Endless House (1999) e Kammer/Kammer (2000). Como disse a crítica de dança do The Guardian Judith Mackrell, foi lá que ele aperfeiçoou o estilo que define como “uma estética de perfeita desordem, que rompe radicalmente com as normas do balé, desorganiza os eixos de equilíbrio e estraçalha o espaço, encorajando os bailarinos a violar todos os códigos do gênero, cortesia e romance“.                                                                                             
O CD-ROM Improvisation Technologies – A Tool for the Analytical Dance Eye, produzido pelo ZKM (Center for Art and Media Karlsruhe) e lançado em 1999 é uma importante ferramenta, como o próprio nome diz, para sensibilizar o olhar e a cognição para a lógica de organização de movimentos deste pensador da dança. Eis aqui um exemplo onde memória e criação se confundem, na medida em que o CD registra facetas deste pensamento de dança e favorece o aprendizado do repertório e, para além disso, colabora com o entendimento de um modo operacional que pode ser utilizado em futuras improvisações que geram novos trabalhos. O CD contém explicações e demonstrações em vídeo sobre alguns métodos de improvisação que Forsythe utiliza para compor, descrito por ele com suportes gráficos e animações, entre outros modos de visualização.                                                                                                                         
Sobre a excelente obra Eidos: Telos, a crítica de dança d’O Estado de São Paulo Helena Katz escreveu no artigo Dança usa a matemática para estrangular corações, publicado em 1996, “Forsythe pensa a dança por algoritmo (tradução matemática da informação) – por isso, ele é único. Não organiza movimentos em espaços, constroi o espaço com ou sem movimentos. Uma empreitada dura. Para ele, seus bailarinos e seu público. Todos precisaram aprender que Forsythe coreografa como quem programa bits e não como quem toma como modelo esses nossos corpos à base de carbono. [...] A cabeça de Forsythe lê o mundo por algoritmos. Ele pára, aponta uma árvore que o outono começa a desfolhar e comenta: ‘veja como é claro, isso é puro algoritmo’. Para ele, o mundo que se mexe evolui porque são essas estruturas algorítmicas que se reproduzem evolutivamente. E, como quase tudo que tem mobilidade pode ser ‘algo ritmável’, isto é, pode ser traduzido matematicamente, o mistério, para ele, está em desvendar esse modo de agir da matemática“.                                                                           
A presença dos conceitos de algoritmo e da razão áurea na dança de Forsythe produzem estéticas diferenciadas. A aplicação de conceitos matemáticos em outro domínio tem consequências estético-espaciais, o que por sua vez, exige a construção de outro corpo. É a presença dos conceitos matemáticos que produz as estéticas desse coreógrafo.                                                                                                                                
A revolução estética idealizada tanto no Ballets Russes como nos Les Ballets Séidois, abrem caminho para novas possibilidades de se pensar o balé do início do século XX ao tempo recente. Vários coreógrafos lançaram novas discussões estéticas para o balé como o mais recente, e ainda em atividade, William Forsythe (Alemanha) que embaralha a técnica do balé acadêmico, partindo da desconstrução, colocando o bailarino sempre em estado de alerta.                                                                                 
Ana Francisca Ponzio em seu artigo: O Classicismo do Contemporâneo publicado na revista Gesto - Revista Centro Coreográfico em 2003, afirma que “segundo Forsythe, o vocabulário clássico jamais será velho. É a sua escritura que pode ficar datada. [...] a desestruturação da linguagem clássica permite obter possibilidades inauditas ocultadas pela abordagem tradicional do balé”. Essas estruturas desenvolvidas por William Forsythe e pelos coreógrafos anteriores facilitaram os cruzamentos do balé acadêmico no cenário da dança contemporânea, trazendo novos significados para o balé, a possibilidade de flexibilizar a tradição e incorporar as inovações do pensamento da dança do tempo recente. Por Exemplo, a De Anima Ballet Contemporâneo no Rio de Janeiro, que tem como referência principal a pesquisa de William Forsythe.


Este artigo foi retirado do TCC de Vanessa Voss.

Um comentário:

Roger Lima disse...

Magnífica publicação! Estou pesquisando William Forsythe para fazer um trabalho coreográfico e ficaria muito grato se alguém puder me ajudar a encontrar mais informações sobre a técnica dele.

Grato!